Assim como outras metrópoles, a cidade de São Paulo possui leis que restringem o acesso de veículos ao centro expandido.Em vigor desde 1997, veículos de passeio ficam proibidos de circular em um dia da semana.
Neste ano, entrou em vigor outra lei sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab, só que desta vez para veículos de grande porte. Que proíbe a circulação de caminhões pela Marginal Tietê entre 5h e 9h e das 17h às 22h de segunda a sexta-feira.
Por causa da decisão, alguns caminhoneiros resolveram paralisar no mês de março as atividades, o que gerou uma greve dos distribuidores de combustíveis e consequentemente o desabastecimento dos postos de gasolina por toda grande São Paulo.
As empresas de transporte de cargas e seus vários clientes nesta área tiveram que pensar planejar e encontrar uma forma eficiente de enviar e receber os produtos. A solução mais usada é a entrega de mercadorias no período da noite.
Daniele Yoki,35 anos trabalha na empresa Space Glass, no setor de logística.
“Torna-se mais caro do que no período diurno, pois gasta-se com funcionários fazendo hora extra para o recebimento da carga. O frete fica mais caro também, por parte das transportadoras por terem de fazer as entregas de noite”.
O trânsito tem sido um dos principais problemas para quem almeja qualidade de vida na cidade de São Paulo. Apesar disso, praticamente nenhum governante enfrenta o problema com seriedade, oferecendo apenas soluções paliativas.
Os dados da pesquisa do Sistema de Percepção Social, afirma que mais de um terço da população brasileira (39%), considera o transporte público muito ruim ou ruim. A região sudeste conta com uma das piores avaliações, 45,9% de reprovação.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, para o movimento Nossa São Paulo (MNSP),76% dos paulistanos dizem que deixariam o veiculo em casa se a rede pública cobrisse bem a cidade e os coletivos fossem adequados e seguros.
Para Rogério Ramos, engenheiro de tráfego, não existe solução para o transito que não passe pela adequação do transporte público.“O meio de transporte mais eficiente para as grandes cidades são as linhas subterrâneas de metrô. Mas é difícil convencer alguém a deixar o seu carro para entrar em um ônibus lotado, quente, com cadeiras quebradas”.
Alternativa seria a priorização do transporte cicloviário, como acontece em Amsterdã e Copenhague, que deram prioridade absoluta para as bicicletas. Em Barcelona e em Londres, existe um sistema de aluguel de bicicletas. A pessoa faz o cadastro, pega a bicicleta em um ponto e entrega em outro. Se a bicicleta sumir ou for danificada, o usuário é multado ou até mesmo excluído do sistema.
Mas nesse caos da cidade de São Paulo, as bicicletas são relegadas a segundo plano, precisam trafegar nas beiras das ruas e muitos ciclistas morrem em acidentes facilmente evitáveis.
“Não dá para as bicicletas disputarem espaço com veículos motorizados. As ciclovias precisam ser de verdade, e não essas pseudo-ciclovias que nada mais são do que uma faixa pintada no chão e que só funciona dia de domingo. Precisam ser caminhos para as áreas mais requisitadas da cidade, precisam ser separadas dos carros, precisam de manutenção.”,completa Rogério Ramos.
Se depender de nossos governantes para que o trânsito de São Paulo melhore, que a qualidade de vida dos paulistanos melhore, ficaremos a ver navios.



